Arquivo do mês: junho 2013

Eliseo Subiela se reúne com Estudantes de Cinema da UFF

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A 20ª edição do Festival Cinesul homenageia o diretor argentino Eliseo Subiela. A mostra exibe seis longas-metragens de ficção, um panorama da sua filmografia, que na década de 1980 ganhou um grande destaque na indústria audiovisual argentina com os filmes “Hombre mirando al sudeste”, “El lado oscuro del corazón” y ” Últimas imagens”, aclamados pela crítica.

Nesta última quinta-feira, dia 6, Eliseo Subiela foi à Niterói para um encontro com os estudantes do Curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Federal Fluminense (UFF), no casarão do IACS (Instituto de Arte e Comunicação Social). Simpático e atencioso, o realizador argentino respondeu várias perguntas sobre o seu processo criativo, a sua obra, a relação com os alunos da escola de cinema que mantem em Buenos Aires e a sua opinião sobre o cinema argentino contemporâneo.
 
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Para Eliseo uma das grandes conquistas do cinema foi a passagem da película para o digital, que proporcionou não só um aumento na produção de filmes como também a redução dos custos de produção e completa dizendo que aprendeu com os seus alunos a como realizar um longa-metragem com pouquíssimos recursos. Afirma que a transição da película para o digital foi um processo sem problemas, para ele, apesar da incógnita do digital em termos de preservação. A primeira vez que utilizou a tecnologia digital foi na realização de “Las Aventuras de Diós” (2000). Bem-humorado, Eliseo afirma que ele e o cineasta mexicano Arturo Ripstein disputam a primazia de quem dirigiu o primeiro longa-metragem no suporte digital que circulou em grandes festivais.


Apesar desta facilidade, ele ressalta que o problema continua na questão da exibição e distribuição. Diz que em seu país, os filmes brasileiros quase não são vistos, o último que assitiu foi “Tropa de Elite” destacando a falta de integração dos circuitos de cinema dos países latinos. “É preciso criar circuitos alternativos”, afirma. Essa é uma tarefa que cabe a todos nós, principalmente aos jovens, se dirigindo aos alunos de cinema. A solução encontrada por ele para conhecer os novos lançamentos brasileiros é encher a mala de DVDs quando vem ao país.
 
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Na opinião do diretor, no mundo do cinema as coisas mais importantes são: conseguir realizar um projeto e saber trabalhar em conjunto, ouvir a equipe. Um filme de êxito é aquele que é realizado e não enterrado em gavetas. O fato de conseguir realizar um filme já é um sucesso. A relação com o público e a crítica é outra coisa.

Por isso, relatou a experiência de seu primeiro longa-metragem, “La Conquista del Paraíso” (1980), uma raridade, rodado na fronteira com o Brasil, na região argentina de Misiones. Comentou que no final da filmagem teve que rasgar páginas inteiras do roteiro, o que há de mais frustante para um realizador. Com atuação de Kátia D’Angelo e Jofre Soares e música de Milton Nascimento, Eliseo comentou a importância e o fascínio que a cultura brasileira sempre lhe exerceu. Relatou que viajava com maior frequência ao Brasil, devido ao seu trabalho no ramo da publicidade, segundo ele, a principal escola de cinema da sua geração.
 
 

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Com relação ao cinema de hoje, incluindo o do seu país, Eliseo sente falta de ousadia estética e narrativa, uma vez que os cineastas contemporâneos optam por um cinema mais contemplativo, para o agrado de um punhado de críticos. Na sua opinião, o meio teatral argentino, pelo qual já fez algumas incurssões, demonstrou ser mais ousado diante da atual crise. Segundo Eliseo, fazer cinema é algo simples, mas por isso mesmo muito complicado: narrar uma história. As pessoas vêem um filme porque querem que lhes contem uma história. E por mais que critiquemos o colonialismo cultural das plateias latino-americanas, os cineastas norte-americanos primam muito por isso. Para Eliseo, o debate sobre a aversão das nossas plateias ao cinema latino-americano precisa ser feita com autocrítica e não culpabilizando somente o colonialismo cultural. Precisamos profundamente entender porque as pessoas não querem ver os nossos filmes.

Eliseo crê que a onda do “nuevo cine argentino” é uma moda que está saindo de cena e que as pessoas têm uma visão idealizada da produção cinematográfica de seu país. Em sua escola de cinema em Buenos Aires, há alunos de toda a América Latina, inclusive brasileiros. Defende que a Argentina atrai jovens do continente, apesar da crise, por sua tradição cultural, o que inclui o cinema. Além da cultura, Eliseo frisou a tradição técnica dos profissionais argentinos, uma vez que seu país teve uma forte indústria de cinema no passado. Para ele, o saber técnico é fundamental e por isso intitulou a instituição de ensino audiovisual que criou em 1994 de Escola Profissional de Cinema. 
 
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